TAEKWONDO
Formas de defesa pessoal são tão antigas quanto a própria humanidade, e seria impossível delinear técnicas de luta nos tempos atuais voltando a um simples e único começo. A Coréia é um país com muita variedade histórica e localizando-se em uma encruzilhada na Ásia. Ela foi periodicamente invadida por: mongóis, manchus, chineses e japoneses, mas o povo nativo do que hoje é conhecido como península coreana preservou sua própria identidade.
Também é importante ressaltarmos que a origem fundamental de qualquer sistema de arte marcial é algo um tanto indefinido porque é óbvio que desde o início da humanidade, sempre houve técnicas de lutas sem armas justamente para proteger vidas e também garantir ao ser humano suas necessidades econômicas.
Existem crenças generalizadas que as artes marciais sem armas, podem remontar suas origens na India através da China, Japão, Coréia e Okinawa. Uma coisa é certa. Monges budistas desempenharam um papel central no desenvolvimento dos primeiros sistemas de socos e chutes. A vocação dos monges e o seu modo isolado de viver nas montanhas retiradas, forneceram-lhes condições ideais sob as quais os primeiros sistemas puderam se desenvolver e se espalhar, tendo em vista que viajavam constantemente de monastério para monastério.
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A fronteira entre Koguryo e a China (região da Manchúria) mudava constantemente, avançando grandes extensões ora para um lado, ora para outro. |
O Taekwondo é ao mesmo tempo uma arte marcial muito antiga e ao mesmo tempo uma arte marcial nova. Isto se deve ao fato que as bases, as quais formaram o Taekwondo são muito antigas, voltando a suas raízes no período de vários séculos, para a Índia, China, Japão e Okinawa;
No entanto a palavra específica Taekwondo e a formatação da arte sob este nome é relativamente nova, datando um pouco mais de 5 décadas
Parte das origens do Taekwondo também estão relacionadas com uma séria de disputas militares entre o Japão e a China, depois disto o reino da ilha de Okinawa tornou-se um dos poucos pontos de contato entre as duas nações. Os Okinawenses preservaram uma incômoda conexão com o continente japonês, enquanto que ao mesmo tempo mantiveram uma embaixada no continente chinês.
Para encorajar os Okinawenses a permanecerem independentes, mestres chineses ensinaram-lhes algumas técnicas rudimentares de artes marciais, estes novos ensinamentos revigoraram as artes de luta dos nativos de Okinawa, resultando em um híbrido e forte crescimento da arte.
Os Okinawenses receberam razoáveis ensinamentos de um simples Chuan Fa (termo chinês que em Mandarim significa método do punho) os quais eles culturalmente padronizaram com as seguintes denominações:
Ryu Kyu Kempo (Método do punho de Okinawa); Tode, posteriormente Karate-Jutsu (jutsu=técnica); depois Karate-Do onde Kara refere-se a China ou dinastia Tang (618-907),e Te significa mão. Do=caminho ou via, portanto (Caminho, ou: via da mão de Tang; ou mão chinesa; punho chinês; técnicas chinesas), lembrando que a dinastia Tang foi caracterizada pela presença de forte arte marcial, sendo que em 1933 já durante a anexação de grande parte da China pelo Japão, Funakoshi Gichin (conhecido como o pai do Karate moderno) mudou a concepção Kara, cujo ideograma se referia a origem chinesa da arte, por um homônimo, (que também se pronuncia Kara, porém com o significado de “Vazio”. Gradativamente as relações entre Okinawa e Japão melhoraram e os japoneses então convidaram os okinawenses a lhes enviar um professor de
Karatê.
Durante o período de ocupação os japoneses proibiram aos coreanos a pratica de artes marciais, (mesmo assim alguns coreanos praticaram o Taekyon às escondidas, ou seja, totalmente de maneira informal), todavia, era permitido aos coreanos, aprender artes marciais japonesas no Japão e a japoneses ensinarem aos coreanos as artes: Karatê, Judô, Aikido e Kendo, isto tudo obviamente no Japão, foi assim que o futuro Embaixador da República da Coréia na Malásia e futuro General do Exército da Coréia do Sul, Choi Hong Hi (1918-2002) tornou-se 2º dan no Karate Shotokan em Tóquio, sob a supervisão do lendário grão mestre Funakoshi Gichim.
Funakoshi Gichim (1868-1957) foi um pioneiro Okinawense que motivou muitas pessoas a estudar Karate, entre os quais alguns coreanos. Nestes tempos os japoneses já tinham invadido a península coreana e muitos coreanos foram forçados a ingressar nas Forças Armadas nipônicas. Com o final da 2ª Guerra mundial, os coreanos que tinham aprendido Karate no Japão, e já de volta a península começaram então a ensinar Kong Soo Do que é a pronúncia coreana para Karate-Do, Tang Soo Do (pronúncia coreana Caminho da mão de Tang), Kwon Bop (Chuan Fa), etc.
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Funakoshi Gichim (1868-1957) |
Kanken Toyama (1888-1966) |
Também foi após o fim da (2ª guerra) que a arte ganhou um poderoso e decisivo ponto de apoio, um local fundamental para o desenvolvimento, estruturação e divulgação da arte. “As Forças Armadas”, pois no início do ano de 1946 um jovem oficial (2º Tenente) da arma de Infantaria do Exército regular da Republica da Coréia, o qual tinha morado no Japão, começou a ensinar karate, na época chamado de Tang Soo Do, Kong Soo Do, etc. para os militares situados no 4º Regimento de Infantaria do Exército da Coréia do Sul em Kwang Ju.
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Ano de 1952; General Choi Hong Hi (1918-2002) do Exército da República da Coréia, sendo cumprimentado pelo lendário General Douglas Mac Arthur (1880-1964) do Exército dos Estados Unidos, então comandante supremo das tropas de coalizão da ONU. |
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Sihak Henry Cho |
Segundo o Grão mestre Sihak Henry Cho, originário da Ji Do Kwan, um dos pioneiros da arte nos EUA, estabelecendo-se em New York em 1961:
“Até a década de 60, o Taekwondo era essencialmente o mesmo que o Karatê Shotokan, com muito pouca influência do Taekyon. Nasceu no século XX quando foi importado diretamente de Okinawa, através do Japão e da China.”
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Fonte: Alcione Prestes Costa